segunda-feira, 21 de abril de 2014

Morre um gênio, nasce um mito. A vida e legado de Kurt Cobain - Parte 2

Segundo o dicionário, Nirvana é uma expressão budista que significa “a última etapa da contemplação, caracterizada pela ausência da dor e pela posse da verdade, como decorrência da integração no espírito do Universo ou no seio da divindade suprema”. Parece que a expressão, assemelhava-se ao comportamento do líder da banda americana de mesmo nome. Kurt Cobain, na busca de encontrar a si mesmo, encontrou apenas paz e ausência de sofrimento, quando colocou fim a sua própria existência. Mártir ou covarde? Cada um tem suas razões e não cabe a alguém julgar.

VOCÊ SABE QUE TEM RAZÃO (You Know You’re Right)

No final dos anos 80, Nirvana batalhava para se tornar uma banda renomada. Seu estilo embora um tanto original, inicialmente não se destacava das demais bandas de Rock daquela época. Guns & Roses, Queen, Bom Jovi, Metallica, ocupavam a atenção da juventude neste período. Sem contar os já consagrados, Rolling Stones, AC/DC, Pink Floyd e tantos outros. A peregrinação do Nirvana pelas cidades americanas a bordo de um pequeno ônibus onde seus integrantes eram os “faz tudo”, deste a montagem de equipamentos a vendedores de camisetas da própria banda após os shows, para levantar subsídios, fez parte do período inicial sofrível, na história daqueles que seriam um dos grandes sucessos em todos os tempos.

SOU TÃO FEIO, MAS TUDO BEM, VOCÊ TAMBÉM É (Lithium)

O primeiro álbum, Bleach, mostrou o potencial, a vibração e energia da qual seus integrantes dispunham. A indefinição de sempre deu uma trégua. Chad Channing, um californiano de Santa Rosa, assumiu a função de baterista durante a produção do disco. Bleach pode ser considerado um negócio da China, considerando sua vendagem de mais de 30 mil cópias, pelo seu baixo custo que demandou duas semanas de trabalho e exatos US$ 606, 17.


ACHO QUE VOCÊ É PERFEITA PARA O CASO... ACHO (About a Girl)

O que nem o mais otimista dos fãs imaginava é que a próxima empreitada daria tão certo, que consolidaria Nirvana, na galeria das mais destacáveis bandas de Rock. Começou com a nova, porém definitiva alteração de baterista. Desta vez Kurt Cobain e seu inseparável amigo Krist Novoselic descobrem o talentoso David Grohl, vindo de Warren, Ohio. Seu estilo ousado e eletrizante despertou a atenção da dupla, principalmente pelo recém integrado acompanhar com maestria o ritmo vibrante do Punk Rock, adotado como gênero.

SOU O PIOR NO QUE FAÇO DE MELHOR (Smells Like Teen Spirit)

Nevermind tirou o Punk Rock das sombras com suas letras mais comerciais e menos “poluídas”. Eternizou sucessos como Lithium, Come As You Are, In Bloom, On A Plain e o clássico Smells Like Teen Spirit, considerado por muitos o maior sucesso de Nirvana e hino oficial do grunge. Alguns zeros foram acrescentados e Nevermind diferentemente do primeiro álbum, até hoje vendeu mais de 30 milhões de cópia em todo planeta. No início dos anos 90, Nirvana destronou Michael Jackson do topo das paradas de sucesso e se tornou a maior banda do mundo. 


PREFIRO ESTAR MORTO DO QUE SER LEGAL (EU NÃO SEI PORQUE) (Stay Away)

Como tudo não são apenas vitórias e a exemplo dos demais mortais, os integrantes da banda tinham paralelamente, vidas e problemas, principalmente Kurt, viciado em drogas mais pesadas e com seus constantes problemas de saúde. Durante o período de sucesso, ele conhece e se apaixona pela roqueira Courtney Love, despojada, drogada e excêntrica. Tais características agradaram Cobain e depois de pouco tempo, eles se casam e do relacionamento nasce à pequena Frances.

ME ESPANTA, A VONTADE DO INSTINTO (Polly)

Com a enxurrada de shows, fãs, entrevistas e problemas familiares, Kurt Cobain se mostra cada vez mais instável com tanta pressão. O simples rapaz de Seattle, sonhador em busca de um objetivo, não estava preparado para os efeitos colaterais da fama. Seus vícios e acessos de loucuras eram resultantes de tanta responsabilidade. Os demais álbuns da banda, In Utero, Incesticide, e Unplugged In New York MTV, tiveram grande repercussão e sucesso, porém só fizeram aumentar o mostro que engoliria Kurt Cobain. 


VENDA AS CRIANÇAS POR COMIDA (In Bloom)

Outra de suas paixões, e também uma potencial ameaça, era seu gosto obsessivo por armas de fogo, ao qual ele dispunha de uma coleção. Todos a sua volta sabiam que aquilo era uma bomba relógio que a qualquer momento explodiria. Com tamanho desespero, Kurt Cobain era cada vez mais o retrato de seu próprio estilo, a própria representatividade do grunge. Depressivo desvalorizava sua vida e desejava a morte.

EU AINDA NÃO ESGOTEI MINHA PACIÊNCIA (I Hate Myself And I Want To Die)

A situação insustentável de Kurt Cobain fragilizou sua saúde e o obrigou a cancelar uma turnê internacional na Europa, quando se preparava para uma apresentação na Alemanha. A banda voltou para Seattle, onde Cobain fora forçadamente internado em uma clínica de reabilitação. Impulsionado mais uma vez por sua insanidade, ele foge e sozinho retorna para sua casa. Seu último ato resume-se a uma espingarda de caça, calibre .20 e o cumprimento de uma promessa ao qual ele havia descrito em uma carta de despedida.


TODOS OS PEDIDOS DE DESCULPAS (All Apologies)

No último dia 05 de abril, fãs do mundo todo, relembraram os 20 anos do desfecho de um dos maiores músicos da história do Rock em todos os tempos. Sobrou aos demais integrantes juntarem os cacos e darem seqüência as suas vidas. Enquanto o baixista Krist Novoselic, leva uma vida pacata em Washington, longe dos holofotes, David Grohl continuou sua sina em busca de ser um Rock Star e hoje é o líder do Foo Fighters, uma das melhores bandas do mundo, desde o próprio Nirvana.


ONDE AS PESSOAS MALVADAS VÃO QUANDO MORREM? (Lake Of Fire)

Fascinante, demente, emocionante, deprimente. Muitas são as características do legado deixado por Kurt Cobain. Um sonhador que se perdeu no caminho. Alguém bem intencionado que tomou decisões equivocadas. Equivocadas, porém não erradas. Cada um é responsável por seu próprio destino e sabe o que é melhor para si. Se Kurt Donald Cobain se mostrou finito como outro qualquer, seu estilo e sua música estão eternizadas no universo do Rock’n’Roll. 


“As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo que fizermos hoje ficará na memória daqueles que um dia sonharão em ser como nós - loucos, porém, FELIZES!”

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Morre um gênio, nasce um mito. A vida e legado de Kurt Cobain - Parte 1

Gênio. Louco. Duas qualidades marcantes que unidas, transformam uma pessoa comum em um imortal. Assim era Kurt Cobain, líder da banda Nirvana. Vanguardista do Grunge, um dos mais emblemáticos gêneros do Rock’n’Roll, de todos os tempos. Sua história, sua insanidade, seu estilo, seu legado, são recordados e vivenciados por fãs em todo mundo, mesmo após 20 anos de sua morte.

VENHA COMO VOCÊ É, COMO ESTIVER (Come As You Are)

Kurt Donald Cobain, nascido em Aberdeen, Washington, nos Estados Unidos em 20 de fevereiro de 1967, era filho de uma garçonete e um mecânico automotivo. Tão novo, o garoto demonstrava preferência pela arte. Talentoso para desenhar, adorava retratar os personagens da Disney. Imitava o Pato Donald, acompanhado de sua irmã caçula, chamada Kimberly.

FIQUEI TÃO LOUCO QUE ME ARRANHEI ATÉ SANGRAR (On A Plain)

Sua precoce genialidade destacava-se na música. Desde pequeno, dava sinais de seu verdadeiro talento. Com apenas dois anos de idade mostrou interesse por Beatles e Monkees, quando ganhou discos, como presente de uma tia. Aos três anos, demonstrava outro de seus destaques - sua personalidade difícil, que o acompanharia pelo resto de sua vida, quando cantava músicas ofensivas direcionadas a policiais.  O interesse pela música foi contínua em sua infância. Aos nove anos de idade teve aulas de bateria profissional, após desgastar uma pequena bateria de brinquedo do Mickey Mouse, presente de seus pais.


COM OS OLHOS TÃO DILATADOS, ME TORNEI APRENDIZ (Drain You)

Divórcio dos pais, problemas constantes de saúde, uso indiscriminado de drogas. Detalhes marcantes que tornaram a adolescência e princípio de juventude de Kurt Cobain, problemática. A música era a sua fuga da realidade, cheia de turbulências particulares, desde convívio social, relacionamento tumultuado com seus pais e assiduidade na escola, ao qual ele largou antes mesmo de terminar o ginásio.


NÃO LIGO, LIGO, SE NÃO TENHO CABEÇA (Breed)

Determinado em seu grande objetivo, Kurt Cobain “entrou de cabeça” em busca de ser um Rock Star. A guitarra tornou sua paixão desde os primeiros acordes, quando em seu aniversário de 15 anos ganhou uma de presente de seu tio. Sua primeira banda chamava-se Fecal Matter, formada no ano de 1985. Adotou o punk rock como seu estilo. Com o desmembramento da banda, Cobain em sua jornada conheceu o baixista Krist Novoselic, parceria esta que duraria durante toda a carreira musical de Kurt. A busca tanto por um baterista, quanto para um nome definitivo para a banda, era uma constante. Aaron Burckhard, agitou as baquetas por mais tempo no período de apresentações da banda SkidRow, que virou Bliss Windowpane e posteriormente Ted Ed Fred.


NÃO ESTOU EM DÍVIDA COM NINGUÉM (Pennyroyal Tea)

Após este período de indefinições, finalmente surgiu o marco que imortalizaria uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. Nirvana trouxe ao Punk, uma característica mais comercial, com letras menos “sujas” e consideradas inadequadas, típicas do gênero nos anos 80, porém enfatizando o estilo auto-depreciativo e desmoralizador do grunge. O que parecia ser mais um recomeço, tornou-se inesquecível, imortalizando seus integrantes, seu estilo, sua música.


Sou o pior no que faço de melhor
E por este presente eu me sinto abençoado.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Você não engana mais ninguém Tio Sam

E eis que surge mais um jogo de interesses. Interesse político por domínio de um terreno até então vulnerável. Quem não tem hábito de leitura, ou a busca pela informação, deve estar se perguntando, que raio é esse de Criméia que tanto falam? E por que os Estados Unidos estão envolvidos novamente em um conflito internacional?

Pois bem, vamos tentar entender um pouco esta situação: A Crimeia é uma república autônoma da Ucrânia que ocupa uma península no sul do país. A Ucrânia por sua vez, é um ex-integrante da extinta União Soviética. Um jovem país de pouco mais de 23 anos que antes disso sempre fizera parte de alguma Nação ou Estado.


A região de população em sua maioria de origem russa vive hoje uma crise de identidade nacional. A desinteligência e desacordo começaram quando seu então presidente, Viktor Yanukovich, se recusou a assinar o acordo de livre comércio com a União Européia, o que deixou o lado ocidental do país insatisfeito. Isso agradou o lado oriental onde a proximidade e tradição russa é mais presente.

Podemos nos perguntar, como que algo aparentemente tão banal e insignificante, pode gerar crise, conflitos, batalhas e mortes. Para analisar é necessário entender que a falta de uma nação forte e unificada, acarreta em impasses e discordância de opiniões. A divisão de pensamentos, embora possa causar uma discussão em prol da melhora, também resulta em vulnerabilidade, o que atrai a atenção de potências estrangeiras que estão sempre atentos a terrenos férteis e mal aproveitados.

E quem melhor do que a maior potência mundial, para usar de seu poder e influência, e mostrar-se solidário e apaziguador nos momentos de maior tensão.  Será? Mesmo após a vergonha da derrota no Vietnã, os Estados Unidos ainda se metem, em pequenos conflitos localizados ao redor do mundo.

Coréias do Sul e Norte, Irã e Iraque, Palestina e Israel, além de Cuba, Afeganistão, Síria, Líbia, e por ai vai. Sempre estiveram lá, presentes com a bela bandeira americana tremulante, demonstrando solidariedade, e boa vontade de colocar ordem na casa, de um país desfavorecido e momentaneamente caótico. A busca por terrenos, favores e petróleo, eram meros detalhes.  

Mas agora o “adversário” é maior, um gigante. A guerra fria está de volta, pois aquela que também já foi a maior nação do mundo, está no páreo em busca de defender seus interesses.

Discursos, estratégias e até algumas possíveis ameaças são disparadas. Esperamos que não ultrapassem esses limites,  pois a história ensinou a todos que a guerra em sua capacidade máxima, significa o suicídio, o fim da vida como conhecemos e nada vale tamanho sacrifício.


Agora, nos resta acompanhar o desenrolar dessa situação. Enquanto a mídia tiver interesse em publicar algo sobre o assunto, teremos informações e conhecimento para argumentar os fatos.

Quanto ao desfecho, ainda bem que temos o Tio Sam do nosso lado, “defendendo nossos interesses”, “lutando por uma causa justa e correta”, “buscando a harmonia global” e conseqüentemente, a paz mundial. Bem que eles poderiam pagar minhas contas também...  


O melhor meio de os Estados Unidos combaterem o terrorismo é deixarem de ser um dos principais terroristas do mundo.
Noam Chomsky

segunda-feira, 10 de março de 2014

A excelência definida em uma palavra - Mulher

Lindas, sensíveis, dinâmicas, atenciosas, inteligentes, guerreiras, apaixonantes... Mulheres. Sim, podemos resumir tamanhas qualidades em apenas uma palavra. São tantas; são mães, filhas, avós, tias, vizinhas, colegas, amigas, namoradas, noivas, esposas, todas abrilhantando nossas vidas. Alegramos-nos com suas características, peculiaridades, espontaneidade e complexidades.

A sábia mãe natureza criou a mulher para complementar o homem com seus atributos. Ambos são o contraponto refletido no outro. O complemento para se alcançar o equilíbrio. Graças a elas e seus exemplos, aprendemos a ter dedicação, honestidade, tolerância, paciência, benevolência. São elas que nos acordam pela manhã, nos levam a escola, nos educam, nos auxiliam em nossos trabalhos, marcam nossas vidas.


Mulheres guerreiras, e muitas vezes, injustiçadas. Entretanto, não cederei espaço neste blog argumentando sobre a barbárie que rotineiramente sofrem nossas damas, seja por culpa de um sistema machista, intolerante, explorador ou corrupto, pois isto remete a escória da covardia e iguala alguns homens aos piores dos seres.

De fato, ao longo da história a mulher conseguiu seu merecido espaço, saindo das “barbas” protetoras e autoritárias dos homens. Hoje elas são independentes, ditam suas próprias regras, escolhem seus parceiros e são cada vez mais promissoras em suas carreiras profissionais.

Graças a suas conquistas, as mulheres tornaram-se também mais exigentes. Não mais qualquer conversa as convence. Não bancam mais a chamada “Amélia”, aceitando as coisas como são, sendo simples donas de casas, provedoras de conforto a família, educação aos filhos e amor e sexo aos maridos.

Todavia, o que, infelizmente, auxilia em pleno século XXI a desvalorização da mulher, é o fato de ainda ser vista como objeto sexual. Algo que é muito, muito lucrativo. Sexo vende, desperta a fantasia masculina em busca de possuir os corpos seminus e bem torneados aos quais nos deparamos na televisão, internet, revistas e outros meios de comunicação.


Uma visão medíocre e animalesca que denigre a imagem feminina, e lamentavelmente, promovem aquelas que aderem, dando mais sustentação à visão deturpada de mulheres promíscuas, e que ignoram valores agregadores ao caráter humano.

Se por um lado, as submetidas ganham destaque, por outro lado, a maioria se enaltece, e muito. Portanto concentremo-nos nossas atenções as belas e aguerridas, que tornam nosso mundo melhor. Nada mais admirável do que uma referência feminina em nossas vidas. Clichê ou não, atrás (ao lado e a frente) de um grande homem, existe uma grande mulher.


No dia oito de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Uma data simbólica àquelas que são especiais a cada momento. Valorize-as, observe-as, ame-as. Seja justo, pois elas merecem.


Não se nasce mulher: torna-se.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Não é a cor da pele que define, mas o caráter

Dia 12 de fevereiro de 2014, uma quarta-feira, como outra qualquer. Meio de semana, dia de futebol. Campeonato internacional – Taça Libertadores da América – torneio este tão desejado pelos clubes sul-americanos. Campeonato que credencia o time campeão a disputar o mundial interclubes no final do ano. Mérito para poucos. Pois é, com tantos ingredientes positivos, algo estragou o espetáculo. 

O lugar era a cidade de Huan Cayo no Peru, casa do time Real Garcilaso, adversário do Cruzeiro de Belo Horizonte. A disputa do jogo, o resultado, ficaram em segundo plano, após o ato hostil, estúpido e preconceituoso por parte da torcida local. Aos 18 minutos do segundo tempo, o jogador Tinga do time mineiro, entrou no lugar do meia-atacante Ricardo Goulart. As cenas que se sucederam foram vergonhosas e revoltantes.

Cada vez que o jogador cruzeirense – que é de origem afro-descendente – tocava na bola, a torcida adversária fazia em uníssono, sons que se assemelhavam aos grunhidos de macacos. A cena se repetia, cada vez que o atleta participava de alguma jogada.

Após o jogo, repercussões, comentários, promessas de punições, enfim, o que já era esperado após um episódio lamentável e grotesco como este. Sabemos que atitudes para tirarem a concentração de um atleta durante o jogo, visando prejudicar seu rendimento é comum, entretanto, uma hostilização racial, fere toda uma etnia, diminuindo o ser humano, por uma diferença pífia de pigmentação da pele.  


É incrível imaginar, que em pleno século 21, fatos como este ainda aconteçam. Já não basta a repressão sofrida pelos negros ao longo da história, regados a discriminação e falta de tratamento igualitário, ainda somos testemunhas de atitudes de preconceito contínuo, pois infelizmente, este não é um fato isolado.

Uma pena imaginar, que faz parte do cotidiano nos depararmos com episódios lamentáveis como este. Pessoas discriminando pessoas por simples diferença étnica, de costumes e tradições, por pensar e agir diferente. O mundo moderniza, ganha em informações e ainda sim, algumas barreiras mentais e comportamentais permanecem.


E o que dizer então da “discriminação branda”? – Se podemos dizer assim -. Quotas para negros e mestiços em faculdades aumentando assim a segmentação para os menos favorecidos. Essa “vantagem, ou privilégio” só faz aumentar a segregação e posterior crescimento do preconceito, como se os negros, mesmo em sua maioria com origem humilde, não fossem capazes de conquistarem por méritos próprios, em igualdades e dificuldades proporcionais aos demais.

O assunto é muito amplo, para ser discutido, e não é uma simples exposição de opinião em uma reflexão que mudará este quadro. Entretanto, cada atitude, por menor que seja, ajuda a conscientizar para esta problemática, que fere os princípios morais de outrem.

Salvando algumas diferenças irrisórias, somos todos iguais. O que deve ser analisado em cada pessoa são suas atitudes e seu caráter, isso sim, define de fato a conduta do ser humano. Respeitar nosso próximo, independente de como seja, é um dever de todos.


Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Eu morro, tu morres, todos morreremos

Para morrer, basta estar vivo, já diziam. Ou então, é a única certeza da vida, proferiam outros. O encerramento de um ciclo aos quais todos, sem exceção, passaremos. A morte pede passagem, só não avisa quando. Precocemente ou progressivamente, uma hora ou outra ela traz o fim.


Triste isso, não? Por essa ótica sim. Aquela pessoa querida e amada parte e sabemos que nunca mais voltará. Deixará um vazio no ambiente, na rotina, na companhia, nos sentimentos. Uma trajetória que influenciou outras vidas, marcou presença, deixou legado, parte e apenas lembranças é o que restam.

Alguns sonham com a imortalidade. São tão presos às suas realidades e rotinas que custam a aceitar o fato de que um dia deixarão de existir. Provavelmente o medo esteja vinculado a isso. Medo de sofrimento pré-morte ou a preocupação de deixarem pessoas queridas e indefesas.

E do outro lado? O que nos aguarda? Ninguém nunca voltou pra contar. Fato fisicamente impossível, espiritualmente discutível. Uns acreditam que podemos reencarnar e ter a chance de uma nova vida, com novas experiências, aprendizados e paixões. Outros crêem que este é o momento de acerto de contas com Deus, onde os dignos terão a felicidade eterna no paraíso e os levianos serão castigados e passarão por terrível sofrimento para sempre. Conceito intrigante. E ainda há aqueles que não acreditam em nada e que depois da morte, é fim de jogo.

A morte pode ser lucrativa, prazerosa e até engraçada. Antigos romanos se deleitavam enquanto escravos se enfrentavam em arenas. Sangue e risadas à vontade. Piadas sobre morte amenizam o arrepio sobre o assunto e trazem gargalhadas. Não é senhor Omar?


E quando ambos são misturados, invadem o imaginário e ganham conotações bizarras. São os mortos vivos comedores de gente atraindo milhares de fãs ao redor do globo, que se imaginam encurralados entre um bando de criaturas medonhas e despedaçadas.


O comum é não refletirmos sobre o assunto, senão a paranóia corrói os pensamentos. A razão é deixada de lado. Como escapar de um destino certo? Do fim de um processo longínquo, construído com sacrifício e partir para... Vai se saber o que?

O que pensar então da mais terrível das mortes, a que tira o próprio direito de prosseguir? Uma decisão que independente da situação que se apresente, é precipitada e mostra a falta de esperança, o egoísmo e ausência de vontade, de superar as turbulências. O suicídio é o pior dos crimes. Tirar a própria vida indica a abdicação da maior dádiva dos seres humanos – o direito à vida.

E a morte preferida e desejada por todos? Ah sim! Nada como morrer velhinho em uma cama aconchegante, sem sofrimento, sem dores, sem lágrimas. Alcançar este mérito não é para todos. Difícil imaginar quais são os critérios da vida.

A morte é conseqüência da vida, e já que ela é certa, tenhamos uma boa vida. Não pedimos para nascer, nem escolhemos como morrer, então aproveitemos o intervalo entre ambos. Desejo que todos tenham uma excelente vida, e daqui a muito tempo, uma boa morte.


A vida é como uma sala de espetáculos; entra-se, vê-se e sai-se.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Livre arbítrio

De todos os desejos, todos os sonhos, todas as conquistas, nada é mais importante para qualquer ser humano, do que a sensação de liberdade. Saber que podemos fazer, comer, vestir, falar o que e quando queremos, é um desejo naturalmente essencial.


A história mostra o quão constante era à busca do homem por seu direito à liberdade. Guerras eram travadas ao ponto de ocasionar milhares de mortes a fim de assegurar o que lhes eram conferidos. Dominação e liberdade significam poder, seja sobre os outros ou sobre si mesmo.

Sim, somos realmente livres para fazer o que bem entendemos. Podemos por exemplo, correr quilômetros, ininterruptamente, atravessando continentes e explorando novos horizontes, ou mesmo dançar extremadamente enquanto houver música. Certo? Errado. E o motivo é muito simples: como todo ser vivo, temos nossas limitações. Elas são bloqueios naturais que nos impedem de alcançar o infinito, ao ponto de atingirmos o mais alto nível de soberba, ao nos equivalermos às forças divinas.

Porém somos adaptáveis e evolutivos. Por mais que desejasse e tentasse, Ícaro, jamais realizara seu sonho de voar como os pássaros. Entretanto o homem com sua sapiência ultrapassou a estratosfera alcançando o espaço sideral.

A questão do livre arbítrio está diretamente ligada ao nosso poder de decisão. Somos livres para escolher se queremos seguir o caminho A ou B. Cada um trará uma causa e conseqüência. Uma equação muito simples, onde a escolha gera uma ação, e o efeito é a resultante do que foi escolhido.


Além dos limites naturais, temos também os limites legais, impostos pela sociedade no meio em que vivemos. Antes mesmo de nascer, o ser humano já possui uma série de regras que deverá seguir: roupas que usará, alimentos que consumirá, carreira a seguir, religião a ser fiel. Dentro de cada um dos tantos itens, existe uma gama de opções a ser pinçada e escolhida. Todavia, obrigatoriamente devemos nos enquadrar, seguindo o que é imposto, só assim seremos considerados cidadãos progressivos. Ou então tentar a sorte vagando no deserto, comendo calangos, usando um saco de estopa como roupa e viver à míngua.  Seja como for, somos livres para escolher.

O que dizer então dos que extrapolam a liberdade? Tomam o que é alheio, desrespeitam o que é de bem comum, vão a extremos em busca de saciar sua ganância e desejo abusivo de poder? O resultado é a punição e privação da própria liberdade. Por esse ponto vemos que por mais livres que tentamos ser, necessitamos de regras estabelecidas para que haja uma convivência pacífica com nossos semelhantes. Afinal, o egoísmo é uma característica instintivamente natural, e o fato de levar vantagem sobre os demais em benefício próprio, não é combatido por todos.

Policiar nossos atos é um dever diário. Somos livres sim, fomos abençoados por Deus com essa dádiva, mas somos diretamente responsáveis por nossas ações e escolhas. O erro faz parte deste jogo, sempre buscamos acertar, porém nem sempre sabemos o que é certo. Usemos nosso maior talento - a inteligência - para assim, quem sabe, alcançarmos a excelência. Pois só assim, aproveitaremos do livre arbítrio com sabedoria.


A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.